sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jornalismo colaborativo é o cacete

Quem é do ramo sabe que quando uma grande empresa quer colaborar com alguém, alguma coisa escondida tem. Essa história, tipo "jornalismo colaborativo" é um belo de um exemplo.

Vai que o Globo Online gosta muito de jornalismo colaborativo. Sabe o GO, aquele canal online do jornal O Globo? Pois é, ele mesmo. Aí o GO pegou e inventou o eu-repórter, o eu-fotógrafo, criou até o eu-semi-alfabetizado para colaborar com os semi-alfabetizados que escrevem matérias por lá. Como os grandes jornais sempre quiseram meio que o fim da obrigatoriedade do diploma para a prática do jornalismo, para eles ficou bem legal, esse povo todo trabalhando de graça, ora escrevendo mal, ora pior ainda.

Em meio à tragédia que aflige o Haiti, aquele país que praticamente acabou-se sem sequer ter tido a oportunidade de ser uma nação, a edição de hoje do GO consegue fazer ridículo: classifica a situação haitiana como sendo uma "tragédia humanitária". E olha que era texto de jornalista, não de "eu-jornalista".

Vai que alguém podia chegar e dizer assim tipo "Ah, mas deu pra entender, tudo é a mesma coisa, né?". Meio que discordo. No fim das contas, se tudo fosse a mesma coisa, eu podia dizer "vai chupar um prego" ao invés de "passe-me o saleiro, por favor". Vamos e voltemos, oras.

Então eu peguei e escrevi assim pra eles:

Se nessa redação alguém tivesse a necessária intimidade com o idioma, saberia que "humanitário" diz respeito àquilo que é carregado de essência humanista - tudo o que uma tragédia não é, confere?

Que legal, acho que alguém leu; voltei lá para capturar a tela e mostrar aqui, mas já não estava mais daquele jeito. De qualquer forma fica aqui a sugestão: vá se foder, GO. Ou, ao menos, contrate gente que saiba escrever. Leitor pode errar, tudo bem. Afinal, não existe "diploma de leitor".

Atualização: olha que legal, escrevi sobre esse assunto para uma diretora de telejornalismo da Globo, que foi minha professora de jornalismo, e ela meio que gostou, tipo agradeceu e tudo o mais. Valeu, Jackie!


* Mike é jornalista graduado, nestes tempos de jornalismo sem lei.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Fui dar uma espiadinha

Diz que você não fica com uma tentação também, diz. Pois é, eu fiquei. Não tinha mais nada pra fazer nesta noite quente e chuvosa. Fui ver o Big Brother, sabe? É um programa daquele canal de televisão que no meio da novela dá dois closes do volante de um carro. Os dois personagens conversando lá dentro, a câmera pega e vai pro centro do volante, dá um close na marca do carro. Aí o motorista começa a mostrar pra gata que ele consegue mexer no rádio sem tirar as mãos do volante. Close no display do rádio, a estação muda ou o volume aumenta, sei lá. Aí a câmera pega e volta pro volante. Super-legal. Kiazar de quem perdeu isso. Perdeu também outros dois personagens combinando ver "aquele filme do Lula, muito bom!" Inimigos, inimigos, merchandising à parte, sabe? Pois é, aquele canal.

Mas aí fui dar uma espiadinha. Tinha tipo um monte de gente numa piscina. Que bom, uma piscina nesse calorão. Aí teve uma conversa mais ou menos assim, entre dois deles:

É muito feio isso que você tem tatuado no braço, essa suástica!, diz a menina pro menino, indignada.

Não tem nada a ver, isso é um símbolo religioso, responde ele, didaticamente.

Que nada, sabe o que é isso? É o símbolo do holocausto! (quem pôs o "h" aqui fui eu, não sei se ela falou com "h")

Queisso?! A suástica é um símbolo religioso, tem mais de 3 mil anos!, retruca ele, meio inseguro.

Não, você tem que ver o peso cultural que isso tem, argumenta a menina, intelectualizando o debate.

Nada disso, isso é sânscrito, é o símbolo do zen-budismo!, encerra o garotão sarado.

E eu fico assim pensando, sabe, será que ainda vale a pena pensar alguma coisa? Vendo estas duas tribos em disputa, a dos belos e a dos sarados, acho que seria menos triste se fossem outras duas, a dos cegos e a dos tarados. Tipo assim, fim do mundo por fim do mundo, acho que seria melhor gargalhar do que chorar, né? Pois é, eu acho. Acho que esse povo todo tem mais é que se foder.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ô Arruda, vá se foder!

O "Vá se foder" de hoje é do Arruda. Sabe o Arruda? Aquele pilantra que sucedeu o outro pilantra, o Roriz, como governador do DF? Pois é, o Arruda. Aquele que perdoa para ser perdoado, moço comovente, esse. Tem tipo assim cara de ex-seminarista, mesmo.

Pois vai que o presidente da Câmara Distrital (isso é tipo assim Assembléia Legislativa Estadual, mas Brasília não é estado, é distrito, viu?), então o Leonardo imPrudente  (sem partido, ex-DEM), aquele que hoje reassumiu o posto de presidente da Câmara, depois de afastado sob a acusação de comandar um esquema de cobrança de propina e pagamento de mesadas a parlamentares aliados, sabe? Pois é, ele era do DEM e se afastou para evitar processo de expulsão. Então vai que o imPrudente, não satisfeito com sua folha corrida moral, resolveu deixar o povo e a imprensa afastados da sessão de hoje, na Câmara dos Horrores do DF.

O motivo alegado para fazer mais coisas às escondidas? Tipo falta de espaço para todo mundo lá dentro. Pois é, nas meias dele tem espaço para maços de dinheiro, mas na Câmara dos Horrores do DF não cabem nem o povo nem a imprensa. Por falar em não cabe, no site da OAB-DF, cujo presidente é Francisco Caputo - que nas horas vagas opera como advogado do governador Arruda - não cabem notícias desabonadoras sobre o cliente dele. Pois é, no site da OAB não tem mais nenhuma das notícias que se acumularam sobre o escândalo do mensalão do DEM, obra tocada com fervor pelo cliente do Caputo. Lá naquele site da Ordem dos Adi Ade Advogados do Brasil também não tem mais nenhuma notícia ruim sobre o Arruda. O Caputo tá certo, eu também ficava puto se falassem mal de cliente meu, apagava tudo, tudinho mesmo.

E por que o pilantra que preside a Câmara dos Horrores do DF não leva o "Vá se foder" de hoje, mas o chefe dele, o Arruda, leva? Porque o Arruda, merece muito mais, é o mentor da corja, o chefe da quadrilha que assumiu no lugar do bando do Roriz. Só por isso, apesar de ele ser muito bom em perdoar as pessoas, sabe?

A única coisa que afastou meu mau humor hoje foi ouvir, no noticiário da GloboNews, que do lado de fora da Câmara dos Horrores do DF havia gente meio que protestando a favor do Arruda. Como assim, GloboNews? Você não sabe que só se protesta contra? A favor, é manifestação, viu? Fala sério, maluco...

Ô psit, ô da GloboNews, leva o Aulete quando for ao banheiro, tá?

(pro.tes.tar)
v.
1. Manifestar insatisfação, discordância, revolta; RECLAMAR [tr. + contra : Os alunos protestaram contra o excesso de matéria antôn.: Antôn.: acatar, apoiar, aprovar. ] [int. : Os alunos protestaram]
2. Realizar manifestação pública de protesto (como comício, passeata). [td. : Pensavam que protestar na avenida Paulista intimidaria os banqueiros.]
3. Clamar, bradar por. [tr. + por : protestar por melhores salários.]
4. Jur. Cobrar na justiça pagamento de. [td. : protestar um cheque.]
5. Afirmar (a alguém) a intenção de; PROMETER [tdi. + a : O candidato protestou aos eleitores defender a educação pública.]

11/02/2010 - ATUALIZAÇÃO: Arruda se fodeu.

Adiantou se entregar?

Aí o traficante vai e resolve mudar de vida. Entra numa delegacia e se entrega à polícia, levando tipo rádio, drogas e dinheiro do tráfico.

Provavelmente influenciado pela igreja evangélica que ele frequenta (um ponto para esse povo, finalmente!), o dileto disse que fez isso para continuar vivo, tipo a salvo, dentro de uma cela.

Coitado. Não foi preso em flagrante. Vai responder a processo em liberdade. Na boa, esse vai precisar de muita oração. Mesmo não querendo o mal de ninguém, desconfio que o neo-honesto está fodido.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Mike Hotel chamando Venezuela, câmbio, câmbio duplo...

Na Venezuela também? Êpa... Está acontecendo tipo assim alguma coisa que não me contaram. Peraí que vou ali googlar "o que se passa com a Humanidade". Caracas, se eu não fizer isso, vou ficar numa ansiedade fodida, sabe? Volto já.


      foto: Reuters



      foto: Reuters

O sustentável peso da felicidade

Vai daí que minha caixa postal entupiu. Mais de duas mensagens cobrando uma explicação. Tá certo, eu não devia ter feito aquele suspense, tá bem, tá bem... quem manda.

É que ontem eu falei sobre - e mostrei - um sorriso de felicidade que causa inveja. Sorriso de satisfação, de atingimento de meta, de aquisição mesmo, sabe? Pois foi exatamente isso, uma aquisição. Depois de dois dias de fila, ela consegui ser a primeira a entrar na loja para aproveitar o saldão pós-Natal-comemoração-do-nascimento-de-Cristo de rede varejista. Sacrificou-se. Triunfou. Comemorou.

Sem mais palavras, nem aquelas tipo feias que trazem toda a emoção do fundo do coração. Feliz 2010 2011 para todos.



     foto: Michel Filho

sábado, 9 de janeiro de 2010

Répi-áua em Sampa

Mas aí vai que o Castro, que é tipo assim meu correspondente em Sampa, foi a um répi-áua lá em Sampa. Répi-áua é meio como que um happy hour, só que todo mundo fala português, é muito legal e divertido. Mas então o dileto Castro foi lá e reportou meio que assim:

São Paulo - Hoje ao final da tarde, tipo assim após uma semana barra pesada em São Paulo, não que São Paulo tenha uma Barra como a do Rio, mas tipo assim, uma barra pesada mesmo, como a do Rio, sabe? Pois é.

Então decidimos ir a um Happy Hour (ou hora feliz como o povo do Serpro prefere). Neste répi o assunto foi "homens vs mulheres". Que coisa mais banal e tosca. Homens são homens, querem mais mulheres, e mais mulheres cada vez mais querem homens. Mas há homens que querem homens, e mulheres que querem mulheres, e homens que querem homens e mulheres, e mulheres que querem mulheres e homens também, inclusive aqueles que não querem só mulheres, sabe? Este papo atentou contra a minha inteligência, muito cabeça.

Teve até um amigo curitibano que participou do répi-áua, estava a perigo, mas resistiu bravamente. Bem que me disseram que curitibanos são outro povo sabe, tipo assim, fechado. Eram três mulheres contra dois homens desprotegidos. A conclusão é que as mulheres querem algo que não sabem bem o que é, e os homens sabem querer as mulheres. Mas no fim tudo deu certo, tudo foi meio assim foda, sabe?

Grande Mestre dos Magos!

Eu nunca fui tipo assim chegado a esoterismos, sabe, tipo Paulo Coelho e suas pérolas de plástico, ou então horóscopos e oráculos. Já trabalhei com Oracle, mas aí já é outra enfermaria. Mas o Paulo Coelho, caramba... não sei como é que um cara fica rico escrevendo tipo haviam certas ovelhas, porém, que demoravam um pouco para levantar.

Como assim, Paulinho? A viagem de bala ainda não acabou? Flexionando o número do verbo "haver", no sentido de "existir"? Haviam mesmo, Paulinho? Eu sei que já houveram eleições em academias de letras que foram lá e puseram Collor e Sarney naquelas cadeiras, sabe aquelas cadeiras velhas? Pois é, puseram eles lá. Houveram porque se tratava daquelas figuras. De resto, houve eleições em que foram reconhecidos escritores como Afonso Arinos, Josué Montello, Vianna Moog, Zélia Gattai, Rachel de Queiroz, Rui Barbosa, Abgar Renault, Jorge Amado... são tantos, tão bons, pensam, conjugam e flexionam tão bem, sabe? Dá até gosto bom na boca de ler, viu? Claro, eu sei, me contaram, nem todos estão vivos. Mas de quem escreve como escreveram, só se pode falar no presente, tá?

(Voltei para atualizar, esqueci de prestar meus respeitos a Cleonice Berardinelli. Eleita para ocupar a cadeira 8 (de Alberto de Oliveira) da ABL há menos de um mês, em 16 de dezembro de 2009, esta doçura de criatura faz meu ouvido ficar embargado quando fala.)

Mas então vai que - antes que eu me esqueça - apareceu na minha frente um mago de verdade, um oráculo sábio e respeitável, que me faz tipo rever meus conceitos nesse dia de canícula de cão, ou seja, quente pra cacete, nego fritando ovo em capô de carro. Mas vai daí que esse Mago (com maiúsculas, mesmo), verdadeiro Mestre, pegou e falou assim:



É isso. Esse aí é fera mesmo, Mago de verdade, meu novo Mestre.

E, Paulo, antes que eu me esqueça, ou você contrata outro ghost para escrever teus livros, com meio grama a mais de decência, ou então vá se foder, na boa.

PS: e você, acha que eu estou fazendo alquimia com a obra do Paulo? Então vem comigo, como dizia o Goulart de Andrade, lembra o Goulart de Andrade, aquele do Comando da Madrugada, que fazia umas matérias muito legais sobre Sampa? Pois é, aquele Goulart de Andrade. Vem comigo. Agora pegue "O Alquimista" (159ª edição, Editora Rocco) e vamos ler juntos. Pega lá o livro, que eu espero.

O pastor contou dos campos de Andaluzia, das últimas novidades que viu nas cidades onde visitara. (pág.24)

Viu só? É para isso que a gente viajamos viaja. Para ter cidades onde visitar.

ou então

A gente sempre acaba fazendo amigos novos, e não precisa ficar com eles dia após dia. (pág. 40)

Essa é tipo fácil, eu quero é ver a alquimia de fazer amigos velhos! Colé, Mané? Cai fora, Aurora!

Ah!, e haviam certas ovelhas na página 22 da mesma edição do mesmo livro. Você gostou destas poucas pérolas? Tem muito mais aqui. Fui.

Atacando o Atacama

Aí o Castro, que é Fidel mas não tem nada a ver com aquele da ilha esquisita, sabe o Castro? Não? Dá uma olhada aqui, noutro dia pensei até que ele estava num shopping lá em Sampa, tipo assim vestindo um terno vermelho.

Mas vai que o Castro é macho, tipo macho paca. Tipo macho pichu. Pois ele vai pegar uma Yamaha Dragstar 650 e dar uma de selvagem da motocicleta, atacando sozinho uns lugares por onde o Guevara andou, sabe o Guevara, aquele médico estudante de medicina burguês revoltado e ainda por cima argentino, que virou argentino assassino em massa? Pois é, o Castro vai dar tipo assim uma de Guevara, só na parte legal. O Castro não é médico, mas uma hora dessas, quando ele estiver na estrada ou de volta, eu conto mais. E tem mais, porque hoje é sabado, você já sabe, né...

A felicidade é bela, o Zeitgeist também. O AI-5 não.

Aí eu estava lendo o noticiário, com aquele monte de notícias ruins, tipo assim AI-5 ressucitado em pleno ano de 2010, sabe, acho que tem a ver com essa moda de vampiros que os produtores de filmes estão empurrando, afinal canino na veia do povo tem tudo a ver com o Zeitgeist.

Aliás, acho que tinha que existir uma Delegacia Especializada de Proteção às Palavras, pra proteger as coitadinhas contra todos os tipos de exploração que elas sofrem no dia a dia (ou "dia dia", como a Band prefere). Maldita inclusão digital! Com essa história de Wikipedia, Google e o cacete, está muito fácil ficar de olho numa palavra, saber mais ou menos onde ela mora, o que ela significa e... pow! dar um bote nela, sequestrar, tirar a roupa dela, torturar, abusar, corromper, distorcer e outras coisas que a gente só vê naqueles filmes de crimes, cheios de investigadores, delegados e promotores.

Zeitgeist é uma destas palavrinhas indefesas, tadinha. De berço nobre, filha de uma troca de ideias entre pensadores alemães, virou um filme que coleciona as teorias da conspiração mais em moda e que foi lançado via Google, caiu na internet e numa vida que, dizem, não é fácil. Não sabe o que quer dizer? Procura na Wikipedia, a mãe dos tolos. Pai dos burros era o dicionário. Wikipedia é a mãe dos tolos porque sempre tem espaço para acolher mais um, qualquer um pode escrever lá, sabia? Aí vem outros tolos, sabe, e acham que tudo que está ali é verdade, pode acreditar, pode levar, madame, tem garantia, não vai se arrepender.

Pois então eu estava lendo o noticiário e vi este sorriso lindo desta mulher, parece coisa de uma realização pessoal sem tamanho, sabe? Fiquei feliz só de ver essa felicidade, tipo assim do topo da pirâmide de Maslow. Será que o filho passou no vestibular? O parto da netinha foi um sucesso, sem problema nenhum? Um tio distante ganhou na mega-sena da virada? Depois é que entendi. Bem de acordo com o espírito do tempo, a felicidade dela é uma felicidade que muitos experimentam. Por enquanto vou deixar aqui apenas esse sorriso inspirador, noutro dia eu mostro de onde ele vem.


E eu sei que você está esperando. Eu já sei disso. Mas hoje eu não estou com vontade de mandar ninguém se foder, não. Porque, sabe, dentre outros motivos, "porque hoje é sábado", como disse o poetinha (não, dia da semana tem nome mas não é próprio, deve ser emprestado ou alugado, por isso começa por minúscula). E também, com esse AI-5 dos sem-terra que vestem macacão de operário e ganham pensão de 28 mil por mês, já estamos fodidos o suficiente, por um bom tempo. Bom fim de semana.